domingo, 17 de junho de 2012

Pensando o Voto Nulo

As eleições estão chegando mais uma vez e a discussão acerca da honestidade e veracidade ética dos candidatos também retorna.
 
Nestes tempos vestibulares à hora decisiva do sufrágio define-se o momento único quando a fauna ideológica personalizada, a saber, os candidatos se dirigem com pretenso e dissimulado respeito ao conjunto numérico dos eleitores para lhes solicitar o seu apoio.
 
Logicamente, aqueles que tiveram a fortuna de serem eleitos no dia seguinte à eleição são os primeiros a precocemente esquecer os que lhes ratificaram gratuitamente no escrutínio universal: assim funciona nossa grande e generosa democracia.
 
Fala-se também muito em “ficha limpa”, imposição legalóide, normativa e axiológica a qual intenta timidamente refrear a farra geral em que consiste em ser corrupto, corruptor e corrompido pelos políticos eleitos agora nos seus cargos administrativos, segundo uma continuidade na prática desonesta que define não apenas as suas gestões atuais mas que é sinalizada de modo determinístico a partir da própria vida pretérita do então candidato que presentemente se tornou agente de Estado nos dois níveis, executivo e legislativo embora seus tentáculos também podem se estender até a estrutura constitutiva do poder judiciário através da prática da indicação pelo poder instituído: a corrupção impera em todos os seus níveis, assim se dá e acontece o processo político nacional em sua universalidade.
 
Em oposição à deslavada exploração do voto na ocasião do escrutínio geral, alguns setores medianos propõem timidamente a aceitação do voto facultativo o qual já existe nas chamadas “democracias modernas”.
 
Contudo, verificando-se que o processo político na nossa realidade específica se encontra comprometido com a contravenção individual e partidária em todos os níveis, que esse modelo vicioso é tudo o que objetivamente é possível de nos ser oferecido e, ainda, que a fé no Estado como alternativa de motivação política não pode nos ofertar nada mais do que o que historicamente temos visto, a saber, a miséria de um sistema político completamente decadente e ultrapassado. Então só nos resta acenar com a proposta universal do voto nulo a ser pregada na atualidade do processo eleitoral dentro dos limites de nossas fronteiras.
Para resolver a questão das múltiplas faces da miséria – política, social, econômica, moral, existencial, etc – os libertários propõem uma nova postura política a qual nunca logrou antes, a negação da atividade política, a anti-política ou a contra-política a qual tem como raiz a prática universal do voto nulo, associada à auto-gestão, à ação direta e à greve geral como elemento de luta social na sua generalidade.
 
Assim, lucidamente conscientes, chamamos os eleitores potenciais ao voto nulo como alternativa de desobediência  aberta, total e livre contra o sistema político que oprime, aliena e exclui.

Seção Sindical do Sindivários POA, da zona norte - FORGS -COB - AIT

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